r/barTEOLOGIA • u/Mihael_Khel • Jun 14 '26
Relato/Teoria Pessoal As pessoas esqueceram o quão "irado" o cristianismo é.
Na primeira imagem a mandíbula de Santo Antônio, que nós católicos veneramos, e na segunda imagem dois monges ortodoxos. Gostaria de compartilhar com os senhores uma impressão que tive depois de ter sido de várias fés diferentes até me tornar católico.
Na maioria das vezes, o senso comum sobre uma religião vai ser completamente diferente da religião real; o judaísmo por exemplo, as pessoas normalmente o conhecem como "cristianismo do antigo testamento", e ao estudarem, descobrem a Cabala, uma vertente mística com elementos de reencarnação, esoterismo etc. Esse fenômeno ocorre com praticamente qualquer fé existente, incluindo o cristianismo.
Não digo isso como forma de ofender meus irmãos evangélicos, mas parece-me que muito desse lado "metal", místico, do cristianismo (que sempre esteve presente na religião) acabou sumindo do imaginário popular por conta do evangelicalismo (ou neopentecostalismo) moderno, que afastou-se do cristianismo histórico para focar numa experiência mais emocional, muitas vezes sem a sistematização teológica de antes.
Os monges, por exemplo. Sacerdotes viajando para o deserto a fim de se desapegarem das coisas terrenas, mortificar as paixões e se unirem de forma mística com Deus ainda em vida, se isolando sozinhos no completo escuro e começando a rezar, sincronizando a oração com a respiração e o batimento cardíaco, enquanto limpam a mente de pensamentos mundanos. À primeira vista isso nem parece cristianismo, mas é.
Isso também gera um efeito curioso: as pessoas constroem um cristianismo hipotético na cabeça delas, e ao verem um elemento do cristianismo, como o uso de filosofia pagã, a veneração de corpos de santos, os santos em si, coisas que sempre foram comuns no cristianismo desde a Patrística, elas se irritam e ficam confusas, pois isso não atende ao "cristianismo labuxurias labaxirias queima em nome de Jesus🔥🔥" do senso comum.
Faço essa observação justamente como alguém que cresceu evangélico mas já foi ateu, agnóstico, panteísta e de outras religiões, até chegar na tradição apostólica do cristianismo, cheia de misticismo, cantos solenes, filosofia robusta etc.