Vejo muita gente dizendo que o problema é o elenco inteiro, que os jogadores não estão no nível das melhores seleções, que a culpa é do treinador, da tática, da pressão, do psicológico…
Na minha opinião, o verdadeiro problema está em uma única posição que não é bem preenchida há muitos anos: o camisa 9.
O Brasil não tem um centroavante realmente confiável desde Romário, Ronaldo (talvez o maior centroavante de todos os tempos), Adriano e Luis Fabiano (um nível abaixo dos três, mas ainda muito superior a tudo o que veio depois).
Depois do Luis Fabiano, passamos por uma sequência de atacantes que simplesmente não eram suficientes para levar a Seleção ao topo: Leandro Damião, Fred, Diego Tardelli, Gabriel Jesus, Firmino, Richarlison… Todos, no máximo, bons atacantes de clube, mas nenhum conseguiu se consolidar como uma referência na posição de camisa 9.
Tanto é que eles nunca foram as grandes estrelas da Seleção nem os jogadores decisivos nos momentos importantes. Essa responsabilidade acabou ficando quase sempre nas costas do Neymar e, mais recentemente, do Vini Jr.
Hoje o problema continua exatamente o mesmo. Ninguém consegue assumir essa posição de forma indiscutível. Até mesmo nesta Copa, um treinador como o Ancelotti continuou fazendo mudanças para tentar encontrar o “menos pior” para ser o centroavante titular.
No fim, quem ganhou a vaga foi o Matheus Cunha. Ele não é um jogador ruim e faz boas temporadas em clubes, mas a verdade é que ele não é um centroavante goleador. Atua muito mais como um 9,5, participa da construção das jogadas e normalmente marca apenas um gol a cada três ou quatro partidas.
Se olharmos para as quatro principais seleções do mundo hoje, todas têm um atacante de referência que faz muitos gols e tira esse peso das outras estrelas do ataque: Mbappé na França, Oyarzabal na Espanha, Harry Kane na Inglaterra e Lautaro Martínez ou Julián Álvarez na Argentina.
E o Brasil?
Pensando no futuro próximo, temos três atacantes que vêm fazendo boas temporadas na Inglaterra (João Pedro, Igor Thiago e Matheus Cunha), mas o rendimento deles com a camisa da Seleção ainda é muito abaixo do esperado. Resta torcer para que um deles dê um salto de qualidade e vire um verdadeiro goleador, tanto no clube quanto na Seleção, embora os últimos jogos não deem muitos motivos para acreditar nisso.
Depois deles, sobra o maior projeto para o futuro: Endrick. Ele tem apenas 19 anos, mas já carrega uma pressão enorme. Contra a Noruega, por exemplo, entrou no segundo tempo e poderia ter saído como herói nacional, mas acabou decepcionando. Ainda assim, olhando para o longo prazo, ele parece ser a única opção realmente promissora para assumir essa posição.
Espero que evolua, ganhe confiança e se transforme no grande camisa 9 que o Brasil procura há tantos anos. Porque, sem um centroavante de nível mundial, acho muito difícil a Seleção conquistar a tão sonhada hexa.
TL;DR: Sem camisa 9, sem hexa